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Carta dos médicos da APS à sociedade.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

 

Comunicamos à sociedade nosso retorno aos atendimentos a partir de 21 de dezembro de 2017 e nossa permanência em Estado de Mobilização. Foram 54 dias de greve, em conjunto com outras categorias profissionais, com o objetivo principal de denunciar o desrespeito da prefeitura com a saúde, penalizando diretamente a população mais pobre do Rio de Janeiro. Nesse período, denunciamos o bloqueio do orçamento da saúde, demissões de profissionais, desabastecimento de medicamentos e insumos, atrasos recorrentes de salários e a proposta de redução do orçamento da saúde para 2018. Tivemos, desde o início, muita dificuldade de estabelecer diálogo com o prefeito Crivella e de ter acesso às informações sobre os repasses financeiros aos fornecedores e às OSS. Convivemos com um prefeito que negava a crise e insistia em fazer promessas que não se tornavam realidade.
No período da greve, nenhuma unidade foi fechada pelo movimento. Mantivemos a assistência com equipes reduzidas, e os trabalhadores estiveram em atividades de esclarecimento à população sobre as razões 
da greve, chamando para inúmeros atos, realizados ao longo desse período. Entendemos que foi uma estratégia bastante exitosa. Em primeiro lugar, porque as situações urgentes e de maior vulnerabilidade foram atendidas pelos trabalhadores em greve. Em segundo, porque mantivemos total apoio da população, através de fotos, vídeos, declarações e participação nos atos. A ela deixamos nosso sincero agradecimento!

Além dos trabalhadores de saúde e população assistida, a mobilização envolveu artistas, mídia (impressa, rádio e televisão), entidades de saúde do Rio e de outros estados. Com isso, alcançou uma visibilidade que impediu que a crise se transformasse numa disputa versões, e que informações não verdadeiras ganhassem força.
Tivemos vitórias importantes: as demissões foram freadas; o orçamento de 2018 foi reposto; nenhum serviço foi fechado; o desmonte das unidades de saúde mental foi interrompido; e foi fortalecida a idéia da importância do SUS e, em especial, das Clínicas da Família. Tornou-se evidente que elas hoje constituem um patrimônio querido da população carioca. A justiça concordou nossa greve e continua cobrando nossas pautas.
Ainda assim, observamos retrocessos: as demissões não foram revistas; as datas dos repasses financeiros permanecem incertas; medicações e insumos ainda não foram repostos de forma significativa; e muitos profissionais, dentre eles 82 médicos, se demitiram no período. Permanece a incerteza sobre o custeio das unidades de saúde mental. Por isso, permaneceremos mobilizados. Estaremos atentos ao cumprimento dos acordos da mesa de negociação, em especial, o de não haver retaliação aos trabalhadores que se mobilizaram por seus direitos e pelos direitos da população. Manteremos as atividades locais, o debate com a população e o entendimento de que a população carioca não pode ter nenhum direito e Nenhum Serviço de Saúde à Menos.


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