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Comunicação /

NOTA DO SINDICATO DOS MÉDICOS DO RIO DE JANEIRO

O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro luta, há anos, pela dignidade das condições de trabalho e do cuidado à saúde no Rio de Janeiro.
O município é o gestor da saúde. De forma errática, os últimos atos públicos têm uma linha em comum: reduzir os serviços à população, em especial nas áreas mais vulneráveis da cidade. Em dois anos, a cobertura da Estratégia de Saúde da Família caiu de 70 para 53 por cento da população carioca. Um atraso colossal.
Nesse cenário, os médicos da atenção primária resistem. Trabalhando com vínculos precários, sem reajustes salariais, em condições de trabalho cada vez mais adversas e – sempre – sofrendo assédio e perseguições do Poder Público.
Nunca houve diálogo franco entre o Prefeito e os trabalhadores da Atenção Primária.
Hoje, num cenário de agravamento da crise, onde duas regiões imensas da cidade, Bangu e Campo Grande e adjacências, vivenciam a desassistencia mais aguda, se atesta que o Prefeito é um estrangeiro na cidade que tenta governar.
Favela é cidade. Os profissionais de saúde que atuam nas favelas e demais áreas de vulnerabilidade se legitimam pelo serviço que prestam às populações locais, mesmo em áreas mais violentas, se ressentem da falta de apoio público, da falta de insumos, da falta de sensibilidade para que se entenda que a missão dos trabalhadores nas favelas – não só os médicos, mas todos – deveria ser valorizada e não respondida com a pinguela dos vínculos precários e a ameaça da demissão no dia seguinte.
Ressaltamos que é inadmissível que se faça distinção entre profissionais de saúde, sob qualquer viés de análise, em especial no que concerne o valor humano.
Essa gestão já demitiu 2.500 profissionais de saúde, sem reposição, reduziu salários e gratificações. Há unidades com um médico onde devia haver nove. Vinte por cento das equipes da Estratégia Saúde da Família está sem médico há mais de sessenta dias, resultado da política de desmonte da Atenção Primária à Saúde operada pela gestão municipal.
Frente a esse cenário devastador, o Prefeito Crivella evidencia não conhecer a própria cidade ao indicar consultas médicas pela internet.
Além de ser absolutamente ilegal e irresponsável do ponto de vista da qualidade da assistência e da segurança do usuário, revela o entendimento que a população pobre pode ser tratada como um gueto.
O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro se solidariza a toda a população carioca e ressalta que seguirá na luta pelo trabalho justo dos médicos, em articulação com todos os profissionais que, mesmo sem o apoio público, tentam fazer valer o que diz a Constituição do Brasil: “Saúde é direito de todos e dever do Estado.”
ASSEMBLEIA DOS MÉDICOS  DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DO RIO DE JANEIRO
Data: 11 DE NOVEMBRO
Horário: 9 HORAS
Local: Ruas próximas à sede da Prefeitura – Cidade Nova

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