Crise nas maternidades do Rio: Em reunião com SinMed/RJ, médicos denunciam precarização e piora na assistência materno-infantil
Em reunião realizada no dia 7 de maio de 2026, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed/RJ) reuniu-se com profissionais de saúde para discutir a grave crise enfrentada pelas maternidades municipais. O encontro contou com a presença dos diretores Alexandre Telles, Gabriella Vanderlinde, Gustavo Treistman e Tomaz Pinheiro, além de um contingente de 31 médicas representantes das unidades Herculano Pinheiro, Maria Amélia, Leila Diniz, Alexander Flemming e Fernando Magalhães. Durante a sessão, os diretores contextualizaram o atual momento de fragilidade da rede, que passa por precarização apontada como projeto para viabilizar a privatização do serviço público pela gestão, concentrando-os sob OSs e na Rio Saúde.
As profissionais presentes denunciaram que a transição para contratos administrativos e o subsequente modelo de OSS resultou em perdas significativas de direitos e cortes salariais, como a supressão de adicionais de distância ou de difícil provimento, havendo relatos de médicos sem reajuste há sete anos. Essa reestruturação tem levado à redução de equipes e, em casos extremos, à falta total de obstetras ou anestesistas em determinados plantões, gerando sobrecarga e insegurança assistencial. O impacto é visível na piora na assistência materno-infantil Fernando Magalhães, referência para alto risco, enquanto unidades como a Maria Amélia ficam sobrecarregadas ao absorver o volume de demanda de outros hospitais.
O cotidiano de trabalho também foi descrito como degradante, com relatos de irregularidades diárias, má infraestrutura — incluindo buracos no teto e falta de ar-condicionado — e a imposição de registros de ponto durante refeições mesmo quando não há tempo para pausas. A categoria denunciou ainda uma política de desestímulo ao regime CLT, especialmente no CCE, Centro Carioca de Especialidades (Benfica), através de salários aviltantes e da contratação de profissionais como Pessoa Jurídica (PJ) com remunerações maiores para pressionar pedidos de demissão entre os celetistas. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde é criticada por focar em reformas estéticas para fins de marketing enquanto ignora a deterioração dos indicadores reais de qualidade assistencial.
Diante desse cenário, o presidente Alexandre Telles informou que já foi encaminhada uma denúncia ao Ministério Público sobre fraude contratual e a redução de gratificações em unidades que passarão a ser geridas pelo IGEDES. Apesar das sucessivas tentativas de diálogo, a Secretaria Municipal de Saúde não respondeu aos pedidos de reunião feitos pela entidade sindical até o momento. Como desdobramento da reunião, o sindicato articulou uma série de medidas legais e administrativas, incluindo a criação de um departamento materno-infantil interno e a notificação imediata ao CREMERJ sobre o déficit de profissionais em escalas de plantão. A entidade também buscará uma audiência com o Ministério Público do Trabalho e denunciará a situação ao Conselho Municipal de Saúde para garantir visitas técnicas às unidades. Por fim, os presentes reforçaram a necessidade de união da categoria e pressão popular para reverter a precarização, mantendo a cobrança por uma agenda com a gestão municipal e a redação de uma carta denúncia à imprensa detalhando as irregularidades.