O impasse financeiro que afetava o corpo clínico do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), no Rio de Janeiro, teve um desdobramento positivo após a intervenção do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed-RJ). Em reunião realizada com a administração da unidade, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), empresa pública vinculada ao Ministério da Saúde que gere o hospital, decidiu pela retirada da empresa Anaesp, responsável pela contratação de profissionais para os setores de CTI-02 e Recuperação Pós-Anestésica (RPA).
Histórico do impasse
A crise tornou-se pública após médicos lotados nos referidos setores formalizarem denúncias junto ao SinMed/RJ e ao Conselho Regional de Medicina (CREMERJ). Os profissionais relataram que a contraprestação pelos serviços prestados não era efetuada desde o dia 19 de janeiro de 2026.
O conflito baseava-se em informações divergentes entre os entes administrativos:
– O GHC sustentava ter efetuado os repasses financeiros à Anaesp referentes aos meses de janeiro e fevereiro.
– A Anaesp, sediada em Barueri (SP), alegava o não recebimento dos valores, resultando em uma inadimplência de três meses.
Diante da incerteza, o corpo clínico optou por manter o atendimento aos pacientes para garantir a continuidade do serviço público, apesar dos prejuízos financeiros acumulados.
Resolução e medidas judiciais
Como solução imediata para a regularização dos débitos, o GHC anunciou o depósito dos valores devidos em juízo. O setor jurídico do SinMed/RJ atuará diretamente para agilizar o repasse desse montante para as contas bancárias dos médicos afetados.
Além da resolução no CTI-02 e na RPA, a mobilização sindical resultou na regularização dos pagamentos por parte da HJM, empresa responsável pela contratação de profissionais para a emergência da unidade.
Posicionamento sindical
Durante as negociações, o SinMed/RJ reforçou sua posição institucional contrária ao modelo de “pejotização” na saúde pública. O sindicato defende a necessidade de melhorias salariais e a substituição das contratações precárias por vínculos baseados na CLT, visando maior estabilidade e direitos para os profissionais de medicina que atuam na rede federal.