Os recentes episódios de insegurança vividos na Clínica da Família Enfermeira Edma Valadão, em Acari, mostra a urgência enfrentada pelos profissionais de saúde no município. A discussão e a exigência de protocolos claros de combate à violência são imprescindíveis na mobilização dos médicos da Atenção Primária à Saúde (APS) e nas cobranças do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, visto que a falta de respostas estruturadas por parte da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) empurra a categoria e o atendimento a situações de absoluto limite.
Na unidade de Acari, as atividades precisaram ser interrompidas temporariamente em decorrência dos intensos conflitos territoriais entre facções rivais de traficantes locais. Além disso houve diversos episódios de ameaças e/ou agressões de usuários contra profissionais da unidade. O cotidiano de perigo escalou a ponto de indivíduos portando fuzis entrarem na unidade, realizando ameaças explícitas a adolescentes que usavam o bebedouro e coagindo os trabalhadores do posto. Funcionários foram intimidados tanto em frente ao estabelecimento quanto no exercício de suas funções diárias, sendo forçados a apagar as luzes do prédio ou a realizar visitas domiciliares sob graves ameaças.
Diante desse ambiente hostil, a equipe emitiu um posicionamento oficial de repúdio contra os atos de vandalismo e a violência física, verbal e psicológica sofrida no território. O esgotamento emocional e o medo constante resultaram no pedido de transferência de médicos e outros membros da equipe, além de afastamentos motivados por problemas de saúde decorrentes da situação de estresse. Como consequência direta, o atendimento à população local — amplamente dependente do SUS — foi severamente prejudicado, gerando restrições severas, como a limitação de exames de raio-x apenas para moradores cadastrados na própria comunidade.
Embora a reabertura da unidade tenha ocorrido após tratativas com a coordenação da área, o panorama geral exposto pela própria SMS — que contabiliza centenas de fechamentos de unidades básicas devido à violência urbana apenas no decorrer deste ano — demonstra que o limite já foi ultrapassado. Para o Sindicato e a categoria médica, a integridade física dos profissionais não pode ser negligenciada e que respostas governamentais eficazes são inadiáveis para assegurar a continuidade da assistência médica em áreas de risco.
